Devaneio.

5 03 2009

Calor, faculdade logo cedo. Ela é tão fofa, dá vontade de esmagar, a qualquer momento. Ela passa, eu acho graça. Aquele sorriso não é pra mim, mas quem liga? Aula, 31ºC, dois ventiladores e várias páginas de matéria. Será que ela é feliz? Exercícios, Intervalo. Não consigo prestar atenção no mundo real as vezes, sendo que só o mero ato de imaginar ela já me leva pra outra dimensão. Viver aqui é tão difícil, será que sou só eu? Vou me mudar pro seu planeta, tem lugar? Aulas de novo, slogans… Nossos olhares não se cruzam, mas os olhos dela chamam a minha atenção sempre.

Tarefa, hora de ir embora. Onde será que ela está? Não importa, quer dizer, não era pra importar. Pensar nela foi incluído na minha rotina de um jeito tão rápido que eu nem me dei conta. Porque gostar de alguém dói? Dói não dói? Sofrer é a 1ªParte de uma relação. As vezes parece que o mundo congela, ou talvez eu que congele quando olho pra ela. Eu podia ficar horas fazendo isso, já disse que ela tem um rosto lindo? Tarde quase livre, aah Liberdade! Mas não tem graça sem você pra aproveitar junto. Nesse caso, prefiro o Cárcere. A prisão interna, onde meu coração entrou e a chave se perdeu. Eu sei que você escondeu ela… Me devolve? Não? Tudo bem, eu vou pegar. Não agora, vamos com calma.

 

Basta um olhar.

Afinal, até quando eu consigo esperar?

Cada dia mais eu fico a me perguntar.

Como você faz isso em mim?

Há alguma mágica pra exercer tanto controle assim?

Inevitavelmente, eu vou querer você pra mim.

Nós dois, apenas isso. Numa história sem fim.

 

Devaneio meu, pensar em você. Devaneio meu, sonhar ao amanhecer.

Devaneio meu, querer realizar o meu desejo. Devaneio meu, a sorte não vem num realejo.

Devanieo meu por tempo indeterminado. Devaneio meu agora, mas eu não vou ficar parado.

Até hoje, em algum tempo de convivência, não vi nem ouvi nada que faça eu desistir. Muitos procuram pela felicidade e eu já encontrei. Não importa o tempo que vai levar, a sorte ei de me escutar. Pensamento por pensamento? Isso aqui são só devaneios meus, jogados ao vento.

“Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma… Todo o universo conspira a seu favor!” – Goethe

Ao tempo, novamente, o que a ele pertence.





Ela é diferente.

15 02 2009

Você sabe como é. Ela chega, às vezes nem te olha, muito menos te cumprimenta. Tem aquele jeito que só ela consegue, anda e vive como se o mundo girasse ao redor dela… Talvez o seu gire, mas ela não sabe e nem precisa saber. Suas amigas não dão uma brecha sequer, e aquela conversa a sós que você tanto sonha, talvez nunca aconteça. Ela tem olhos do mais belo dos verdes, embora você jure que os tenha visto azuis. Talvez eles sejam os dois. Até hoje você não conseguiu definir o estilo de roupas que ela usa, num dia frio ela está de gola olímpica e no outro ela está de blusa de alças. Embora ela também não saiba você prefere a gola olímpica. Com esse par de olhos, você espera que o conjunto complete a beleza, mas não funciona bem assim. A boca é bonita  e o nariz não é feio, mas para quem tem o par de olhos dela, com certeza merecia mais. No dia-a-dia você diria ‘ela é diferente, talvez até exótica’, em certos casos você diria ‘ela tem uma beleza singular, até que me agrada’. Até que te agrada? Vamos lá, se não fosse do seu agrado você não a notaria, especialmente pelo fato de ela quase não saber quem você é tirando aquele dia em que acidentalmente você trombou com ela. E o cabelo? Aah, o cabelo. Aquele cabelo castanho que cai por cima dos seus ombros, ou que ela coloca entre si mesma e o algo que ela esteja olhando furtivamente de lado. Como você sabe? Bem, são anos de análise. Ela é bonita, mas ri alto e às vezes ela não parece viver no mesmo planeta Terra que você.

Você sabe do que eu estou falando, não é? Pegou-se diversas vezes olhando pra ela. Até chegou a errar o caminho no shopping por estar com a cabeça em outro lugar, nela. Às vezes você se sente sozinho, principalmente naqueles jantares em família em que todos, menos você, estão acompanhados. ‘Ela podia estar aqui’, antigo e persistente desejo seu. Você sente falta de companhia, feminina. Você tem vários amigos, não o bastante, pois isso não existe, mas um número considerável. Porém falta aquela amiga, aquela que te conte seus problemas diários na esperança que você a faça se sentir melhor, que encare o amor de forma séria como você e que acredite que não existe alguém perfeito nos esperando, mas sim alguém que aparece e se torna a pessoa perfeita para aquele momento e talvez, pros próximos que virão. Amor latente, que existe e está guardado esperando essa pessoa aparecer para poder ser compartilhado.

Podia ser aquela menina, se ela não tivesse sofrido tanto com o último namorado que agora é bem mais cuidadosa com relacionamentos e dependendo do dia prefere nem os ter. Se ela não te olhasse de um jeito que às vezes te tira o fôlego, se ela não tivesse gostos que você acha no mínimo curiosos. Poderia ser ela, se ela tivesse mais tempo livre, ou talvez passasse menos tempo olhando o seu próprio mundo e prestasse atenção no mundo em volta dela, se ela prestasse atenção em você. Talvez se você tivesse coragem, e conseguisse viver com o fato de que ela seja tão parecida com você, que já se tornou parte integrante do seu mundo, o mesmo que ela insiste em não ver. Talvez se você admitisse que ela é parte do seu mundo. Aquele mesmo, meio bonito, meio antiquado, meio estação.

 

Humberto Cardoso Filho.








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