O barulho da caneta tinteiro passando pelo papel, às vezes, é tudo que queremos ouvir. Palavras são nossas cúmplices, parceiras de longa data. Escrevemos para nós mesmos… Jamais irão te faltar palavras, apenas tinta pra colocá-las no papel.
A vida foi feita para ser vivida ou escrita?
Viver todos vivem… Até certo ponto, viver é fácil. Escrever muda tudo. Quem escreve é levado a outro patamar. Não acima ou abaixo de ninguém, mas do lado. Do lado do mundo no qual vivemos, de números e casos… Quem escreve, vive num mundo de letras e acasos. Não brincamos com sorrisos, brincamos com palavras. Não lidamos com ações, lidamos com pensamentos. Nós nos viramos bem com a solidão, papel e caneta são toda a companhia que precisamos. Quem escreve é louco, é poeta, é amante. É tudo e nada ao mesmo tempo, é razão e emoção. Palavras e Silêncio. Quem escreve não espera uma folha em branco, mas rabisca por cima de seus próprios feitos passados.
Quem escreve não acredita no impossível, apenas não lembra a palavra certa para a ocasião. Nós que escrevemos, temos o hábito de querer transformar tudo em versos. Risos, alegrias, felicidade… Tudo é desculpa para umas belas palavras serem escritas. Decepção, tristeza, saudades… Quem escreve tem uma relação muito mais intrínseca com o mundo… Às vezes, nem precisamos nos abrir com alguém. Não precisamos expor nosso sofrimento a céu aberto. Nós sangramos pelo papel.
Nós que escrevemos, não procuramos um amor eterno nem procuramos uma pessoa perfeita. Nós procuramos alguém para habitar nossos poemas. Várias pessoas são capazes de contribuir com um verso em nossas vidas. Nós procuramos àquela, que vai tirar a caneta de nossa mão e rabiscar algumas palavras sem sentido. Quem escreve, sabe roubar o ar e tirar as palavras. Quem escreve, já perdeu o ar e ficou sem palavras. Quando um sentimento nos atinge, ele não nos derruba. Apenas vira mais um rascunho.
Quem escreve sabe que um epílogo, às vezes, só significa o começo de um novo capítulo.